O que precisa morrer em você para que algo possa nascer?
- elouise farias
- 8 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 4 dias

A morte simbólica como caminho de transformação
Por Elouise Farias | Psicóloga
A morte simbólica como caminho de transformação
Em muitos momentos da vida, somos atravessadas por crises que não pedem solução imediata, mas escuta. Sensações de esgotamento, vazio ou desconexão costumam indicar que uma forma antiga de existir já não sustenta a alma. Na psicologia analítica, compreendemos que o processo de individuação não acontece sem rupturas: algo precisa morrer para que outra organização psíquica possa emergir. Morte como passagem, como travessia.
A Mulher Esqueleto e o encontro com o que evitamos
No conto da Mulher Esqueleto, apresentado por Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos, uma mulher é lançada ao mar.. Seus ossos permanecem no fundo do oceano até que um pescador, sem intenção, a fisga. Ao perceber o que trouxe à superfície, ele tenta fugir.
Essa imagem fala diretamente do nosso movimento psíquico diante daquilo que rejeitamos: o fim, o luto, a perda de uma identidade conhecida.
A sombra não desaparece: ela retorna
Jung nos ensina que aquilo que não é integrado à consciência se manifesta pela sombra. O que evitamos olhar não se dissolve; retorna como angústia, repetição ou sintoma. A Mulher Esqueleto simboliza essas partes nossas que foram abandonadas para garantir pertencimento, aceitação ou sobrevivência. Ela não surge para destruir, mas para ser reconhecida como parte legítima da totalidade do ser.
Quando parar de correr devolve vida
A transformação no conto acontece quando o pescador para de fugir. Ele se permite olhar, sentir medo, tristeza e ternura. Ao chorar, suas lágrimas, símbolo de contato emocional verdadeiro, hidratam os ossos ressecados. Do ponto de vista simbólico e clínico, é o afeto consciente que devolve vitalidade às partes endurecidas da psique. Aquilo que recebe presença pode, então, se transformar.
O que precisa morrer em você agora?
Muitas vezes, o que pede morte simbólica não é uma relação ou situação externa, mas uma identidade interna: a mulher que precisa ser forte o tempo todo, a que se desconectou do corpo, a que aprendeu a viver no automático. Permitir que essas formas se dissolvam é abrir espaço para uma vida mais alinhada ao ritmo da alma. A morte simbólica exige coragem, mas também oferece alívio e verdade.
Renascimento não acontece sem atravessamento
Quando algo morre em nós com consciência, algo nasce com mais autenticidade. A Mulher Esqueleto, ao ser vista e acolhida, torna-se mulher viva. Assim também acontece nos processos terapêuticos: partes esquecidas não pedem exclusão, mas integração. O trabalho da alma não é evitar os fins, mas aprender a atravessá-los com presença, escuta e cuidado.
✧ Se esse texto tocou algo em você, talvez exista um processo pedindo espaço para ser vivido. A psicoterapia e os processos simbólicos oferecem um campo seguro para atravessar mortes e renascimentos internos com acompanhamento, sentido e profundidade.
Com alma,
Elouise Farias
Psicóloga
61 999064654 | @elouisepsi



Maravilhosa! Indico de olhos fechados